Sendo sucinto, Amsterdam foi a maior decepção da viagem. Claro que pode ter sido causado pelas situações adversas que estavam ocorrendo no local como por exemplo a greve de lixeiros que ia completar 15 dias, deixando as ruas e calçadas cobertas de lixo, algumas vezes em pilhas de quase 2 metros. Pode ser pela chuva constante. Pode até ter sido pelo tremendo frio que peguei em plena primavera européia, com termômetros marcando algumas vezes -2 graus de sensação térmica.
Pois bem, depois de uma agradabilíssima viagem de trem entre Berlim e Amsterdam (mais informações aqui) as primeiras coisas que notei quando sai da Zuid Station (ou estação sul) foram: que cidade zoada e que povo amistoso!
Como disse pouco acima a cidade estava enfrentando uma greve de lixeiros então as ruas e calçadas estavam imundas. E como a estação fica ao lado do WTC Amsterdam, um fluxo enorme de gente, a cena era desoladora. Passado o choque inicial, hora de achar o hotel, que sabia que ficava ali pertinho. O holandês, para alguém de fora, soa muito como klingon. É impossível deduzir qualquer coisa ouvindo ou lendo. E lá estava eu com o mapa para o hotel na mão, tentando entender um mapa local quando uma moça para, me oferece ajuda para achar o hotel. Pega o iPhone do bolso, confere o endereço e me coloca na direção correta. Pelo mais puro altruísmo. E eu vi mais cenas assim pelo centro de Amsterdam…
Uma entre as dezenas de pilhas pequenas de lixo
Chegando a Amsterdam
Há vários modos de chegar a Holanda sendo que eu optei por trem entre Berlim e Amsterdam. Quem optar por Schipol há trens que saem de lá e param nas estações Zuid e Centraal. Não houve muita aventura ou confusão para chegar a Amsterdam. Entrei no trem em Berlim, sai em Amsterdam e pronto. Alias, para validar mais ainda como o holandês é gente boa, na minha viagem em determinado ponto da Holanda o trem deixa de ser um trem de passageiros Berlim – Amsterdam e passa a atuar como um trem local. Nessas um senhor sentou na mesma cabine que eu, puxou papo em alemão, quando disse que não falo alemão, engatamos um papo interessante em inglês onde falamos de economia européia (a crise grega estava em todos os jornais), diferenças e similaridades culturais entre Brasil e Holanda e tudo mais. Em suma, o holandês é mesmo um povo bacana que não tem nem um pouco o nariz empinado.
Cruzando os canais
Bem, Amsterdam é uma cidade muito bem servida de transportes públicos. Tem metrô, tram, ônibus, bicicletas, trens, etc. E outra vantagem é
que o centro antigo, ou medieval como alguns chamam, é bem pequeno. É dos poucos casos onde a máxima “turismo a pé” tem valor.
Meu hotel ficava colado na Zuid e de lá até a Centraal, de onde pode se explorar quase tudo a pé, levava 30 minutos no máximo, usando o metrô. Pelo centro há varias linhas de tram que você usar para se locomover a pequenas distancias. O metrô lá é meio caro, 2,60 por viagem. Então a melhor escolha é comprar um cartão Iamsterdan. É um cartão indutivo de papel que acompanha um livreto com mapa e diversos cupons de desconto para varias atrações, de museus a restaurantes. Além de acompanhar um cartão plástico. O cartão de papel te dá acesso ao sistema de transporte enquanto o plástico te da acesso as atrações que fazem parte do programa. É vendido por quantidade de dias, que podem ser 24hs, 48hs e 72hs com os preços de €38,00, €48,00 e €58,00 respectivamente. Pode ser comprado pela internet ou nas principais estações de metrô. Você pode usar o cartão de modo ilimitado durante o período de validade em todo sistema de transporte que servem a cidade, excetuando os trens.
Conhecendo a cidade medieval
Trams
Essa cidade sempre me causou um certo fascínio e sempre tive muita curiosidade em conhecer. Expectativas altíssimas a respeito. Talvez esse tenha sido o problema.
Não que a cidade seja feia, ela estava feia. E se você conseguisse abstrair as pilhas de lixo conseguia ver aquelas casinhas de dois e três andares uma ao lado da outra, cada uma de uma cor e abaixo os famosos canais. Mas de pois de algumas horas andando o que você percebe é que o centro tem pouquissima variação arquitetonica ou de cores. Tudo parece igual depois de um tempo.
Mas Ok, tem o Red Light District com suas gostosas em “exposição” e talz. Mas então… o RDL está longe daquilo que nos vendem. Sim, há as vitrines. Sim há as moças la faturando seu ganha pão e pagando seus impostos. Mas chamar aquelas mulheres de baranga é um elogio. É interessante de ver como funciona uma sociedade onde sexo não é tabu e ser prostituta não é diferente de outra profissão mas fora esse aspecto “sócio-antropológico” não há nada demais lá. Claro que muito disso se deve a quantidade massiva de turistas lá e isso muda toda a dinâmica, não tem como ser diferente.
Na verdade eu achei que Amsterdam é uma especie de Tijuana para os europeus. Quando terminam o colegio vão para lá encher a cara e fumar
um baseadinho. Quem sabe até assistir a um “donkey show”. O que mais se vê é garotada andando como zumbi pelas ruas. Em especial na região do RDL, onde estão concentrados a maioria dos coffee shops de baixa qualidade e preços. Portanto se você quiser curtir algo de melhor qualidade e em melhor companhia, quanto mais longe da velha igreja melhor.
Quando estiver andando, a procura da sua diversão preferida, muito cuidado com o tráfego. Não de carros e sim de bicicletas. Andam feito doidos pelas ciclovias e não é incomum alguém ser atropelado por uma.
Mas nem tudo é ruim lá. Por causa do frio e da chuva eu frequentei varios bares e restaurantes e digo que todos são muito bons. Cerveja sempre na medida, beliscos idem. Nenhum carão das pessoas ou atendentes. Acho que todos falam inglês lá, não tive nenhum problema de comunicação.
Recomendo fortemente o Cafe Hoppe para o almoço e o Cafe Luxembourg para o jantar. Até porque o Hoppe no fim da tarde e noite é impossívelde entrar de tão cheio. Ficam lado a lado, na praça Spui, mas com clientes totalmente diferentes. O Hoppe é um bar tradicional de jornalistas, políticos e jovens locais. Já o Luxembourg faz mais o estilo menos descolado e mais formal, com um atendimento impecável e um maior numero de turistas e pessoas “tradicionais”. Não confunda esses cafés com os coffee shops. São totalmente diferente na proposta… ou seja, NÃO PEÇA A MACONHA HIDROPÔNICA DO DIA NESSES LUGARES. Não vai ter.
As cafeterias da cidade também são muito boas em geral e os doces são muito gostosos. E uma vez em uma cafeteria não deixe de pedir um Stroopwafel. São bolachas tipo wafer, bem fininhas com recheio de caramelo. São redondas e cabem perfeitamente sobre uma xícara de café, como uma tampa. Peça seu café e deixe ele sobre, ate o caramelo derreter pela ação do calor e do vapor. Depois é só comer. É simples e delicioso.
Mas se o dinheiro for pouco não se preocupe. Há as opções econômicas para comer. Varias lojas de conveniência espalhadas pelas ruas quebram um enorme galho e por €1,50 você come um croquete em uma das centenas de maquinas ou dispenser automaticos. Basta inserir a moeda e escolher seu croquete.
Outra coisa interessante na cidade é o mercado de pulgas. Me disseram que há vários mas só conheci o Waterlooplein ou como alguns chamam, mercado judeu. São centenas de barracas onde você encontra roupas, acessórios, utensílios domesticos e quase tudo mais o que imaginar. Coisas de grife ou não. Para chegar nele basta descer na estação Waterlooplein. Uma boa para comprar algo bacana por um preço mais baixo.
ATENÇÃO: A mostarda holandesa deixa o wasabi mais poderoso que você tenha comido parecendo geléia de morango. O que eu quero dizer é: a menos que você precise descongestionar o nariz e chorar um pouco use muito pouco da mostarda. Ou pague o preço por sua petulância.
Mas nem só de cerveja e croquete vive o homem e ele precisa descansar. Para isso usei os serviços do Qbic Hotel Amsterdam. É um hotel super pratico, mas com a cama mais confortável da viagem.
Mas é um hotel com suas particularidades. Como por exemplo o fato de o banheiro não ter portas. Portanto se você estiver acompanhado, tenha certeza de essa pessoa ter MUITA intimidade com você. O quarto apesar de não ser pequeno, pela disposição, parece bem apertado. O hotel fica no WTC Amsterdan, com acesso super fácil a estação Zuid e a no máximo 30 minutos da Centraal. Tem um buffet de café da manhã que não usei, mas parecia simpático. No lobby há maquinas automáticas para bebidas, doces e cafés. Mas é meio caro. Então é mais jogo você deixar uma reserva dessas coisas no quarto. E ah, o hotel oferece wifi gratuito, que funciona, aos hospedes.
Por que vale a pena? Bem, se você for e a cidade estiver em condições melhores que encontrei vale muito a pena caminhar. Andar por entre os canais trás uma certa tranquilidade. Uma sensação de “está tudo bem agora”. A arquitetura também é interessante ja que parece uma cidade de brinquedo, apesar de cansar depois de um dia.
E o já tradicional set no flickr você confere aqui.
E depois de 3 dias em Amsterdam é hora de uma parada rápida, de apenas 1 dia, em Bruxelas, e de lá Paris. Roma e Berlim estão aqui e logo logo Londres.

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