Algumas pessoas tem a impressão que no Brasil é tudo ruim e que nos EUA é tudo maravilhoso quando se trata de acesso a internet quando na verdade eles estão tão ruins quanto nós e em alguns casos até muito pior. Quando se trata de exemplo em telecomunicações o espelho deve ser a Europa.
No Engadget há uma matéria bem interessante questionando o porque da banda larga na Europa ser melhor qualidade e bem mais barato que nos EUA. E a resposta basicamente é: competição.
O mercado regula os preços e a qualidade e não o governo. A esse cabe o papel de facilitar a vida das empresas que querem entrar na competição. E em um mercado assim se você não estiver satisfeito basta você pegar o telefone e trocar de operadora. E na maioria dos casos sem precisar alterar nada nas instalações domesticas.
E como isso é possível? Unbundling.
No Brasil existe uma lei que permite e regula a pratica mas por alguma razão não é utilizada. A ultima vez que ouvi sobre isso foi reclamação das concorrentes em relação aos preços que as concessionárias dominantes estariam cobrando, além de dificultar o acesso as instalações, etc.
No artigo que li, a BT (British Telecom) praticava essa mesma artimanha para dificultar o acesso a ultima milha. Como o governo resolveu? Tornou publico o quão ruim eram os serviços deles comparados com métricas estabelecidas e colocou muita pressão sobre eles. Literalmente deixando-os envergonhados (e os acionistas) com a situação. Hoje a BT ganha muito dinheiro e é uma empresa com índices de satisfação altos.
Aqui no Brasil isso claramente não esta sendo usado quando pegamos como exemplo a implementação da rede da GVT aqui em Recife. Eles cabearam a cidade toda para atender os clientes. Ou seja, um custo enorme com fiação, mão de obra e mais fios pendurados nos postes para enfeiar a cidade. Quem não optaria pelo unbundling nessa situação, podendo implementar mais rapidamente e com menor custo? Os motivos que levaram a GVT a escolher o caminho mais complicado é impossível de saber. Só especular que as condições da empresa de telefonia dominante eram tão ruins que refazer o trabalho seria mais simples. Mas acho que seria interessante a todos nós uma resposta publica a essa questão.
Esta mais do que na hora da Anatel e das esferas governamentais fazerem algo para fomentar a competição de fato em telecomunicações no Brasil, possibilitando ao consumidor maneiras rápidas e simples de trocar de operadora de acordo com sua conveniência. Facilitando o unbundling, desburocratizando a entrada de competidores no mercado, racionalizando a tributação e por fim cobrando (e também punindo) as operadoras que não atingirem critérios mínimos de qualidade. Critérios esses que devem ser altos. Reativar a Telebras é apenas uma medida demagógica sem real beneficio para a maior parte da população. Tanto se fala da emergente classe C. Uma faixa da população cada vez mais ávida por serviços de telecomunicação e acesso a TV por assinatura, dispostos a gastar para ter tudo isso e mais, se o custo for razoavel.
No video abaixo (em inglês) vemos como a Holanda esta encarando a infra-estrutura de comunicação. Eles transformaram isso em um dos pilares para o futuro. Assim como a Coreia ja fez.
Watch the full episode. See more Need To Know.
Para as empresas de telefonia está ótimo o modelo atual. Eles tem clientes sem se preocupar com competição. Podem fixar preços e entregar o serviço com a qualidade que
quiserem. Para quem vamos correr? As empresas de telefonia celular não tem condições de atender a demanda caso 20% da clientela da empresa de telefonia de São Paulo, por exemplo, se rebelassem e passassem a usar os serviços de telefonia móvel como principal fornecedor de banda larga.
E um fato curioso dessa historia toda, ainda pegando a Inglaterra como modelo é que as atuais provedoras estão começando a enfrentar limitações devido ao uso do par de cobre e estão cobrando da BT liberdade para que eles usem, em consorcio, o sistema de tuneis e conduites dela a fim de levar fibra para a ultima milha, ou seja, até casa do cliente. E entre os participantes do consórcio estão a AT&T e a Verizon que em casa, nos EUA, dizem que o modelo inglês é inviável. O que o video abaixo diz por A + B que é balela.
Alias o video abaixo foi produzido pelo mesmo grupo que produziu o video acima, mas com um enfoque diferente. Enquanto o video acima é mais uma comparação de como os EUA e Europa encaram as telecomunicações o video abaixo é mais focado em tratar de mercado e competição. Alguns trechos são realmente iguais em ambos os videos mas, como ja disse, eles tem um enfoque diferente sobre a mesma questão.

