Hunf!!!

Pictures taken in May 2010 @ London, England.

Banda larga???

| 7 Comentários

Algumas pessoas tem a impressão que no Brasil é tudo ruim e que nos EUA é tudo maravilhoso quando se trata de acesso a internet quando na verdade eles estão tão ruins quanto nós e em alguns casos até muito pior. Quando se trata de exemplo em telecomunicações o espelho deve ser a Europa.

anatel Banda larga???

Quem deveria zelar pelas telecomunicações brasileiras

No Engadget há uma matéria bem interessante questionando o porque da banda larga na Europa ser melhor qualidade e bem mais barato que nos EUA. E a resposta basicamente é: competição.

O mercado regula os preços e a qualidade e não o governo. A esse cabe o papel de facilitar a vida das empresas que querem entrar na competição. E em um mercado assim se você não estiver satisfeito basta você pegar o telefone e trocar de operadora. E na maioria dos casos sem precisar alterar nada nas instalações domesticas.

E como isso é possível? Unbundling.

O unbundling é a liberação da chamada ultima milha para que outras empresas a utilizem para prover seus serviços. Basicamente empresas concorrentes instalariam seus equipamentos dentro da central da operadora dominante e caso o cliente optasse por trocar de serviço bastaria, dentro dessa central, pegar esse par e conectar no equipamento do concorrente. Soa como loucura mas é uma situação que ninguém perderia. Pois a operadora dominante não estaria oferecendo isso de graça a uma concorrente e sim alugando, tanto o par quando o espaço físico em sua central, para a instalação dos equipamentos. Ganharia o cliente que tendo mais opções para encontrar a melhor relação custo beneficio para sua necessidade. E ganha a competidora que pode concentrar a maior parte dos custos em criar um backbone de qualidade sem se preocupar em levar o cabeamento até a casa do cliente. O mesmo pode ser aplicado a TV a cabo.

british telecom logo 535x254 280x132 Banda larga???No Brasil existe uma lei que permite e regula a pratica mas por alguma razão não é utilizada. A ultima vez que ouvi sobre isso foi reclamação das concorrentes em relação aos preços que as concessionárias dominantes estariam cobrando, além de dificultar o acesso as instalações, etc.
No artigo que li, a BT (British Telecom) praticava essa mesma artimanha para dificultar o acesso a ultima milha. Como o governo resolveu? Tornou publico o quão ruim eram os serviços deles comparados com métricas estabelecidas e colocou muita pressão sobre eles. Literalmente deixando-os envergonhados (e os acionistas) com a situação. Hoje a BT ganha muito dinheiro e é uma empresa com índices de satisfação altos.

Aqui no Brasil isso claramente não esta sendo usado quando pegamos como exemplo a implementação da rede da GVT aqui em Recife. Eles cabearam a cidade toda para atender os clientes. Ou seja, um custo enorme com fiação, mão de obra e mais fios pendurados nos postes para enfeiar a cidade. Quem não optaria pelo unbundling nessa situação, podendo implementar mais rapidamente e com menor custo? Os motivos que levaram a GVT a escolher o caminho mais complicado é impossível de saber. Só especular que as condições da empresa de telefonia dominante eram tão ruins que refazer o trabalho seria mais simples. Mas acho que seria interessante a todos nós uma resposta publica a essa questão.

Esta mais do que na hora da Anatel e das esferas governamentais fazerem algo para fomentar a competição de fato em telecomunicações no Brasil, possibilitando ao consumidor maneiras rápidas e simples de trocar de operadora de acordo com sua conveniência. Facilitando o unbundling, desburocratizando a entrada de competidores no mercado, racionalizando a tributação e por fim cobrando (e também punindo) as operadoras que não atingirem critérios mínimos de qualidade. Critérios esses que devem ser altos. Reativar a Telebras é apenas uma medida demagógica sem real beneficio para a maior parte da população. Tanto se fala da emergente classe C. Uma faixa da população cada vez mais ávida por serviços de telecomunicação e acesso a TV por assinatura, dispostos a gastar para ter tudo isso e mais, se o custo for razoavel.

Não somos um pais pequeno e rico como a Suécia em que o estado pode cobrir 100% do território com fibras óticas. E não podemos cair na mesma armadilha dos EUA que primeiro depositavam todas as esperanças no WiMax e agora no LTE. Se amanhã uma nova tecnologia surgir, é para onde as esperanças serão direcionadas. Acesso a telecomunicação de qualidade, junto com educação de qualidade, são as chaves para o futuro do Brasil como potência, mesmo minima.

No video abaixo (em inglês) vemos como a Holanda esta encarando a infra-estrutura de comunicação. Eles transformaram isso em um dos pilares para o futuro. Assim como a Coreia ja fez.

Watch the full episode. See more Need To Know.

Para as empresas de telefonia está ótimo o modelo atual. Eles tem clientes sem se preocupar com competição. Podem fixar preços e entregar o serviço com a qualidade queatt verizon 280x202 Banda larga??? quiserem. Para quem vamos correr? As empresas de telefonia celular não tem condições de atender a demanda caso 20% da clientela da empresa de telefonia de São Paulo, por exemplo, se rebelassem e passassem a usar os serviços de telefonia móvel como principal fornecedor de banda larga.

E um fato curioso dessa historia toda, ainda pegando a Inglaterra como modelo é que as atuais provedoras estão começando a enfrentar limitações devido ao uso do par de cobre e estão cobrando da BT liberdade para que eles usem, em consorcio, o sistema de tuneis e conduites dela a fim de levar fibra para a ultima milha, ou seja, até casa do cliente. E entre os participantes do consórcio estão a AT&T e a Verizon que em casa, nos EUA, dizem que o modelo inglês é inviável. O que o video abaixo diz por A + B que é balela.

Alias o video abaixo foi produzido pelo mesmo grupo que produziu o video acima, mas com um enfoque diferente. Enquanto o video acima é mais uma comparação de como os EUA e Europa encaram as telecomunicações o video abaixo é mais focado em tratar de mercado e competição. Alguns trechos são realmente iguais em ambos os videos mas, como ja disse, eles tem um enfoque diferente sobre a mesma questão.

Fontes:
Engadget, PBS e Anatel
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Autor: Raul

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  • Hunf

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  • http://twitter.com/buchecha @buchecha

    Só uma correção: ao menos na zona norte do Recife, todo o cabeamento da GVT é subterrâneo. Campo Grande, Encruzilhada, Espinheiro, Graças, Rosarinho… Esses e muitos outros bairros passaram vários meses em obras. Em Olinda a GVT está fazendo a mesma coisa. Bairro Novo, Amparo e Casa Caiada está com obras de fiação subterrânea da GVT desde o final do ano passado. Aparentemente foi algo necessário a fazer, visto que a rede da OiVelox na ZN era tosca. Aliás, acho que é justamente a estrutura precária das redes no Brasil que impede o unbundling. Investir nisso para ter MAIS clientes insatisfeitos? Não tenho dados sobre isso, claro, é apenas um palpite =)

    • http://www.twitter.com/chelosbr Rogerio M. Lima

      A necessidade de separar as ações das empresas de telefonia incubentes e algo que já deveria ter sido feito desde as privatizações.

      Tem que haver a separação de atividades. Prestação de serviços, uma empresa; administração das redes, outra empresa.

      Trocando em miúdos. após a regulamentação do full Unbundling As empresas incumbentes ficariam proibidas de prestar serviços de dados a clientes finais. Teria que obrigatoriamente alugar suas redes as quaisquer empresas interessadas em utilizar suas redes. Inclusive essa mesma empresa incumbente pode criar uma outra empresa contabilmente independente desta para prestar serviços de dados a clientes finais, esta estaria em pé de igualdade com todas as demais empresas.