Depois de Roma e Vaticano chegou a hora de Berlim. Uma cidade que quase ninguém coloca em seus roteiros mas deveriam, pois definitivamente vale a pena.
Se a antiga Roma, Grecia e mais recentemente França formataram o mundo atual, definitivamente Berlim teve um peso enorme no século XX e só poderemos ter noção de como isso afetou o mundo (além do obvio na época) no futuro.
Pois então, Berlim foi quase que completamente destruída pelos bombardeios da Aliança na Segunda Guerra Mundial, seus espólios compartilhados pelas potências (UK, USA, FRA e a falecida URSS) e anos depois, literalmente dividida por um muro que na pratica não dividia apenas a cidade e sim o mundo. Fora o fato que Berlim ficava no meio da Alemanha soviética, como uma espécie de ilha capitalista em um mar socialista. Com tudo isso em mente e vendo a Berlim de hoje, não tem como não ficar boquiaberto. É uma cidade funcional, organizada, limpa, barata e com uma arquitetura moderna. O povo, ao contrario da lenda, é caloroso. Em Twin Peaks o agente Dale Cooper define uma boa cidade como aquela em que amarelo significa reduza em vez de acelere. Pois em Berlim é assim.
Chegando em Berlim
Fui de Roma a Berlim por via aérea, saindo do aeroporto de Ciampino e chegando em Schonefeld (mais informações a respeito aqui)
Para chegar em Berlim a partir desse aeroporto você pode optar por táxi, ônibus e o metrô, que foi a minha escolha. O acesso a estação é tranquilo, existe uma passarela ligando a área de desembarque do aeroporto a estação. O trem que serve ao aeroporto é o S Bahn com as linhas S9 e S45. A partir dai você pode planejar seu destino final. Mas faça isso com bastante pois o metrô de Berlim é um pouco confuso no inicio (em 1 dia você se acostuma) e a língua não ajuda. Mas um lado positivo é que me senti perfeitamente seguro no metrô, mesmo claramente sendo uma linha alvo de gatunos.
Pulando o muro
Aqui passava o Muro de Berlim
Berlim é uma cidade funcional, organizada. Mas isso não vai te livrar de algumas confusões em especial no primeiro dia quando você sair na rua sozinho. Mas isso é mais porque todo material de pesquisa ou produzido fora da Alemanha usa uma grafia simplificada e se você confiar neles fielmente pode se dar mal olhando as placas e mapas locais. Em especial quando se trata de nome de estações de metro e grafia de nomes de ruas. Por exemplo, você vai ler muito Joaquim Strasse, o que vem a ser Rua
Joaquim em tradução literal. Mas em todas as placas a grafia vai estar JoaquimStraße. Mas esse é apenas um exemplo simples, na verdade é um pouco mais complicado… mas não tanto que possa assustar. É também porque tenho alguma familiaridade com a língua e como é bem próximo ao inglês então as vezes fica facil achar que entendeu algo mas que na verdade esta longe de ser entendido. Mas enfim, esse estranhamento não dura meio dia… pois é uma cidade facil.
A melhor alternativa na minha opinião é usar o metrô para se locomover pela cidade. Berlim é grande e a maxima de conhecer a cidade andando não funciona aqui. Há duas empresas ou sistemas integrados, o U Bahn e o S Bahn, que cobrem praticamente toda a cidade, além de varios outros “Bahn”, Tram e ônibus. Há varios tipos de bilhete mas é quase certo que você precise de um Welcome Card que cubra as areas A e B. Ai os preços variam de acordo com a quantidade de dias de validade que você comprar. Eu comprei em uma maquina de auto-atendimento mas parece que podem ser comprados em centros de atendimento ao turista, acompanhado de mapa, livreto, etc. Como não tinha nenhum próximo e o bilhete individual é relativamente caro, €2,10, optei por isso.
As estações de metrô não tem catracas ou nenhum outro sistema de controle, você simplesmente entra e se dirige a plataforma e embarca. É tudo na base da confiança. Claro que vira e mexe deve ter algum fiscal que pede para ver seu bilhete validado, mas enquanto estava lá não vi nenhum.
Muitas vezes você terá que trocar da U Bahn para a S Bahn e vice-versa e muitas vezes as estações não estão fisicamente ligadas, apesar de mostrar no mapa da linha como ponto de convergência. Mas sem pânico, apesar de não estarem fisicamente ligadas ficam uma do lado da outra a no máximo 100 metros no caso mais extremo.
Aproveite a cidade
Cupula do Sony Center
Berlim é uma grata surpresa. Não tem as ruínas romanas, os canais holandeses, o charme parisiense ou o ar cosmopolita de Londres mas tem seu charme discreto, cativante. É uma cidade muito aberta, acostumada com uma legião de estrangeiros em suas ruas devido a sua história.
Não vamos apressar as coisas…
Não sei se foi atípico ou se pode esperar isso sempre, mas peguei temperaturas em media na casa dos 5 graus pela manhã cedo ou noite, durante o dia chegando a uns 15, ao contrario de Roma que nessa época cheguei a pegar 30 graus. Então é essa hora que justifica aquela blusa mais quentinha que trouxe, mesmo achando que estava só enchendo a mala. Eu realmente estava esperando algo na casa dos 20 a 25 graus, mas tudo bem, se fosse para ter calor o tempo todo não saia de Recife.
Uma vez que esteja agasalhado você pode andar por ai sem medo, ao menos na região mais central e próximo aos pontos turísticos. De toda a viagem foi onde eu me senti realmente seguro andando na rua. Claro que você ouve que em bairros mais distantes a realidade é diferente, em especial onde era a antiga Berlim oriental, devido aos problemas que essa reintegração naturalmente trouxe. Acredito que tomando os cuidados básicos você se sairá bem.
E nessas andanças você vai se deparar com muitas mesinhas na calçada, como que esperando você. Não as decepcione. Você come muito bem em nessa cidade gastando 1/3 do que gasta em outros lugares. Um jantar em um restaurante legal, acompanhado de uma cerveja e finalizando com um fantastico apfelstrudel sai por €25,00.
Mas fique alerta: os berlinenses gostam de comida apimentada.
Uma boa dica é você ir ate a Potsdamer Platz e de lá explorar os arredores. Você pode apreciar a beleza arquitetônica do Sony Center assim como comer alguma coisa nos vários restaurantes que tem lá. Mais uma curta caminhada e você se depara com o Reischtag e o Portão de Brandenburgo. E ai a sua esquerda esta o Tiergarten, um imenso parque e a direita a Unter den Linden, uma charmosa via originalmente construida para servir de caminho entre o portão e o palácio do Kaiser.
Berliner Dom
Seguindo direto a Unter den Linden você encontra varias edificações bacanas como a Opera de Berlim, biblioteca municipal, universidade Hunterboldt além da ilha dos museus, que é onde a maioria (acredito que uns 90%) dos museus berlinenses estão localizados. Nessa area também esta a, não mais infame, Bebelplatz, onde Hitler queimou livros que não achava adequados. Segundo ainda essa rua você passa sobre o Kupfergraben (um trecho do Spree) onde esta o museu da DDR e continuando você sai na Karl-Liebknecht-Straße. Ai você esta em uma area mais parecida com o que era a antiga Berlim Oriental, com seus prédios feios e quadrados e muitos em processo de demolição ou reparo.
Quer conhecer a Alexanderplatz? Sem problema, continue reto por uns 2km (acho), seguindo a famosa antena Berliner Fernsehturm você sai lá. A antena fica no meio da praça. Mas claro que se bater aquela preguiça tem a estação de metrô Alexanderplatz sempre a disposição.
Mas se você quiser ficar só pela Unter den Linden também não dá problemas. Vários bancos espalhados para você sentar e ver a vida passar e se bater uma fome, há sempre um quiosque servindo currywrust, que vai muito bem acompanhado de cerveja.
Uma outra forma que deve ser interessante de conhecer a cidade, mas que não usei, é e bicicleta. A cidade inteira é cortada por ciclovias e a própria Bahn aluga bicicletas, mas não tenho certeza como funciona para estrangeiros. Mas se não puder, tudo bem, tem as empresas de aluguel de bicicleta espalhados pela cidade.
Uma coisa que você vai notar fácil em Berlim é que as pessoas bebem muito. De garotos até madames, passando por todo tipo de gente. Mas apesar disso eu não vi ninguém bêbado dando vexame ou dormindo na rua. Na Alemanha pode-se beber, legalmente, a partir dos 16 anos. Então, possivelmente aliado a uma política de educação em relação ao álcool, as pessoas aparentemente sabem beber.
E por falar em bebida, uma pet de coca-cola 500ml é mais caro que uma Berliner Ale ou Becks de 500ml. Acho que isso ja diz muita coisa sobre como esse é um lugar feliz.
E por falar em felicidade, ninguém é feliz sem dormir direito e tomar um banho fervendo. os hotéis em Berlim são muito mais baratos que em Roma, Paris e principalmente Londres. Pelo que se gasta nesses lugares por um dois estrelas você fica tranquilamente em um 4 ou 5 estrelas ou faz como eu e fica em um hotel mais barato e economiza preciosos euros.
Fiquei no Grand City Berlin Ku’damm e digo que o hotel é meia boca. Boa localização, próximo a metrô e as áreas de compra de Berlim. Mas o hotel tinha uma aparência velha, um cheiro estranho nos corredores e carpetes bem rotos. O pessoal da recepção bem apático e a internet que não funcionou o tempo todo em que estive lá. Pelo menos os quartos eram limpos e o aquecedor funcionava a contento, apesar da pouca pressão no chuveiro. Enfim, paguei barato então podemos dizer que valeu o que paguei por ele. Mas se estiver procurando hoteis por lá veja outras opções.
Por que vale a pena? Porque Berlim é realmente uma cidade fascinante. Uma cidade com uma historia extremamente conturbada no século passado e que até hoje luta para minimizar os efeitos dessa historia na vida das pessoas. A integração entre a antiga Berlim Oriental com a ocidental, criando a cidade de hoje, ainda esta em curso e se mostra muito mais complicada na economia atual. Vale a pena porque o povo é educado e caloroso com os turistas. Vale a pena pois a cidade te convida a vê-la sem pressa, o que não foi o meu caso infelizmente. Mas em breve eu volto.
Se quiser saber sobre meu destino anterior, Roma, basta clicar aqui. E logo mais leia sobre Amsterdam, Brulexas, Paris ou Londres.
Enquanto isso você pode ver no Flickr algumas fotos que fiz por lá.

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