Hunf!!!

Human-Rights

Direitos humanos para HUMANOS!

| 31 Comentários

Estou me vendo obrigado a fazer um “disclaimer” aqui porque parece que há uma disparidade entre o que eu quis dizer no texto e o entendimento das pessoas.
Eu sou contra é a população clamando por sangue. Sou contra o Zé das couves pedindo para o policial se tornar um justiceiro.
Se no caso de enfrentamento os policiais matarem os traficantes, Ok, ele estava em situação de perigo e fazendo o trabalho dele. Já um policial pegando um traficante rendido e desarmado e dando um tiro na cara dele, em vez de leva-lo a justiça, acho um absurdo.

Sempre que algo mais grave acontece e é relativo a violência nas grandes cidades, sujeitos aleatórios bradam de trás de suas grades que “direitos humanos são para humanos” e na mesma toada pedem o exercito na rua.

Ai fico me perguntando: essas pessoas não aprenderam absolutamente nada com os livros de historia? Ou ao menos leram algum na vida?

Mas vamos por partes:

1 – Clamar pelo exercito na rua:

380 MORTOS E DESAPARECIDOS DA DITADURA MILITAR NO BRASIL. Direitos humanos para HUMANOS!Não que eu ache que isso possa acontecer, mas foi essa a desculpa usada pelo exercito, o clamor popular,  para praticar o golpe militar que tirou Jango do poder e instaurou uma ditadura que durou décadas no Brasil. Ditadura essa que matou, torturou e censurou.

Que nos colocou no fundo do poço econômico e causou todos os problemas que só começaram a ser resolvidos com o fim da reserva de mercado no governo Collor e o fim da inflação no governo FHC.

Veja bem pessoas: o exercito tem que proteger a soberania do Brasil. Exercito não pode e nem deve agir como policia. Não tem instrumentos para isso, apesar de, estupidamente, estar entre seus “poderes constitucionais” garantir o cumprimento das leis.

Que tal se em vez de pedir exercito na rua exigir reaparelhamento dos instrumentos civis de controle? Melhor policia, melhores salários, justiça agil. É só uma idéia.

E a parte mais deliciosa…

2 – Direitos humanos é para humanos:

Human Rights Direitos humanos para HUMANOS!O que é irônico quando se trata do Brasil já que aqui direitos humanos contemplam no geral somente os classe-media para cima, brancos, heteros e com educação superior. Uns ou outros estão fora dessa lista e tem seus direitos humanos preservados mas acredite, são minoria. Ou seja, direitos humanos no Brasil já é uma exceção e não a regra.

Mas enfim, direitos humanos para humanos. O que isso quer dizer? Quem vai julgar quem é ou quem não é humano? Você se acha capaz disso?

Só uma pergunta: quando você viu as fotos de Abu Ghraib o que sentiu? Repulsa ou alegria? Ali o governo dos EUA julgou que aquelas pessoas não eram dignas de serem tratados como seres humanos, não dignas de terem seus direitos humanos assegurados.

E a Sakineh, foi julgada culpada por um crime cuja punição é o apedrejamento, de acordo com as leis do pais onde ela vive. O governo dela, Irã, não é muito fã dos direitos humanos também. Costuma matar mulheres e homens sempre que não agem de acordo com a lei deles. Ou quando estão de bom humor simplesmente chicoteiam a pessoa. Por que isso? Porque lá direitos humanos não existem.

Bom, mais uma vez eu me pergunto se essas pessoas ja leram algo na vida que não fosse somente do seu estrito interesse, como um livro técnico por exemplo.

Pois acho que nunca ouviram falar de certas figuras historicas que se acharam no direito de dizer quem era digno de ser coberto pelo manto dos direitos humanos.

A Africa hoje em dia é um verdadeiro celeiro de talentos para genocidas. Não faz parte da minha tribo? Mata. Não quer entrar para meu exercito? Mutila. Mulheres de uma tribo inimiga? Estupramos para que seus filhos sejam “da nossa tribo”. E por ai vai. Alias o Brasil tem em sua conta crimes dessa monta, praticados na guerra do Paraguai.

Fora da atualidade podemos citar varios exemplos.

Como exemplo Slobodan Milosevic e seu amiguinho Radovan Karadžić, genocidas praticantes nos balcãs. Eles se julgaram capazes de dizer quaisMilosevic karadzic mladic wanted poster 127x188 Direitos humanos para HUMANOS! grupos etnicos eram humanos ou não e os que eles achavam que não… limpeza etnica. E garanto, limpeza étnica é o que há de mais sujo ja bolado pelo homem.

E tem uma outra figura ai que se achava pródiga em apontar humanos e montros. Na conta dele estão 6 milhões de almas, mais ou menos. Não sei ouviu falar dele mas esse austríaco, que veio se tornar um dos homens mais poderosos e escrotos do mundo, se chama Adolf Hitler.

Olha só, quando a gente começa a se achar capaz de escolher quem pode ou não ter determinado direito considerado universal, na verdade estamos um passo mais próximos de figuras como os citados acima ou dos grandes genocidas africanos.

Direitos humanos são para todos e só podemos evoluir como sociedade quando esses direitos cobrem todos os cidadãos. Já somos um dos paises com maiores problemas no mundo em se tratando de igualdade, vamos começar a institucionar agora?

jewish marchers wwii Direitos humanos para HUMANOS!

Todos foram muito bons em gritar e fazer escândalo por causa da mocinha que disse que aquilo sobre afogar nordestinos. Ela agiu como esse pessoal acima, tirando de um grupo social o manto de proteção dos direitos humanos. Ela errou e com certeza hoje deve estar profundamente arrependida disso, ao menos assim espero. Mas me pergunto: quem diz que direitos humanos são apenas para alguns podem  julgar essa moça, ja que são do mesmo balaio?

Eu entendo que uma pessoa que perdeu alguém querido tenha seu julgamento nesse aspecto totalmente anuviado. Quem não ficaria? Mas quando a sociedade organizada começa a bradar absurdos assim só nos resta uma coisa: renomear para barbarie e quem tiver juizo, lutar contra.

Pessoas como as do video abaixo em alguns lugares do mundo são consideradas monstros… algumas décadas atras o mundo todo os julgava assim e violava constantemente seus direitos. Não quero acreditar que evoluimos tão pouco nesses últimos 110 anos.

Se você for comentar dizendo “não pode comparar bandidos com essas outras situações” por favor releia o texto. Caso ainda persista o sintoma releia novamente. Em caso de loop eterno vá procurar outra coisa para fazer

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Autor: Raul

Manter ao abrigo da luz e longe de odores fortes. Não empilhar. Data de validade impressa no rotulo.

  • http://twitter.com/evandrocesar EvandroCesar

    Vida de blogger também é: ter que explicar o texto. :)

    • http://twitter.com/O_Raul Raul

      ¬¬

  • http://twitter.com/Lu_Pinheiro Luisa Pinheiro

    ops, quis dizer TEXTO. malzaê. ;)

    • http://twitter.com/O_Raul Raul

      Olá. Eu escrevi o texto. Esse é meu blog pessoal.

    • http://twitter.com/O_Raul Raul

      O texto é meu. Esse é um blog pessoal. :D

  • http://twitter.com/Lu_Pinheiro Luisa Pinheiro

    Amigo, call me ignorant, mas quem escreveu o texo? Não consegui identificar o nome do autor.

  • http://twitter.com/edfreitasneto Edgard Freitas

    Então.

    Os traficantes do Rio têm fuzis, metralhadoras, granadas, lança-rojões (não somente os de São João, mas os militares, conhecidos como bazucas). A polícia “comum” nem sempre terá condições de enfrentá-los, pois são equipamentos militares, especialmente os petrechos pesados.

    Daí por que o exército (e no caso de hoje, do Rio, o Corpo de Fuzileiros da Marinha) eventualmente auxiliam a polícia. Se eles não fizerem, quem o fará?

    Boa vontade e diálogo não desalojam traficantes, e nem os fazem entregar armas. Quem está de arma na mão, aterrorizando uma cidade, incendiando ônibus com trabalhadores, não tem nenhum direito humano a invocar enquanto não se render. Isso é bastante simples. Matá-lo não é somente um direito da polícia, mas um dever nesse caso. Qualquer um que já esteve sob a mira de uma arma de um vagabundo sabe disso.

    Ademais, há uma questão de proporção a se conhecer: Bater num terrorista é crime, mas nunca será mais grave que o próprio ato de terrorismo.

    Justiça social, educação, recuperação, etc, não contam na hora de um problema concreto, que é o de desalojar traficantes armados. Quando alguém é vítima de assalto pensa : “pô, ele só fez uma redistribuição de renda forçada comigo!”. ma vítima de estupro sorri, pois ajudou na coletivização dos meios de REprodução?

    Na hora do problema concreto, o que resolve, concretamente, é a força bruta. E quem começa o jogo não pode depois choramingar se o adversário resolve jogar.

    • http://twitter.com/O_Raul Raul

      Só deixando claro, ja que aparentemente as pessoas não entenderam o texto:
      Eu não sou contra o enfrentamento entre a policia e os traficantes e que a policia use todos os meios necessários para resolver o problema.
      Eu sou contra é a população clamando por sangue. Sou contra o Zé das couves pedindo para o policial se tornar um justiceiro.
      Se no caso de enfrentamento os policiais matarem os traficantes, Ok, ele estava em situação de perigo e fazendo o trabalho dele. Já um policial pegando um traficante rendido e desarmado e dando um tiro na cara dele, em vez de leva-lo a justiça, acho um absurdo.

      Sobre o uso das forças armadas o que penso é que essa discrepancia entre as forças policiais e os traficantes é dado antigo. Sendo antigo o governo deveria contratar mais pessoal, equipar com o que há de melhor e inverter essa equação. Eu entendo que hoje a unica solução é o exercito, mas desde sempre ouço que os traficantes são melhores equipados que o aparato policial e fazem muito pouco para inverterem a equação, quase que deixando a responsabilidade no colo do exercito, algo que deveria ser cuidado por um setor civil.

    • http://twitter.com/VagLigeiro Vagner Ligeiro

      Quer dizer que o “Zé das Couves” não é um ser humano com direitos de exigir também justiça? Um “Zé das Couves” não pode se tornar um juiz? (no meu ponto de vista) Infelizmente um torneiro mecânico com educação básica se tornou presidente. E no meu ponto de vista não melhorou nada o país (tá, mudou algumas, mas não vi aqui). Mas ele teve seu direito garantido pelas leis que você defende para exercer tal cargo.

      Agora vamos aprimorar um pouco essa conversa. Falando sobre Brasil. Pense comigo: um Juiz não sabe 99% do que ocorreu. Sempre vai saber pelas testemunhas, pelas autoridades e por quem é acusado e o acusador. Ou seja, damos o direito de “julgar” uma ocorrência nas mãos de uma pessoa que nunca sabe totalmente o que aconteceu naquele momento. E isso muitas vezes demora anos, décadas. E no final, muitas vezes rola corrupção até mesmo de quem deveria ser insubordinável. Será que no final isto não seria a verdadeira injustiça?

      Um caso que até hoje implico: por que até hoje ninguém achou nada sobre o Celso Daniel? Por que ninguém investigou o que a imprensa colocou a mostra, mesmo sendo sensacionalista ou mentirosa? Por que ninguém investiga o PT a fundo? O Caso do Celso Daniel é a verdadeira prova que confiar na justiça no Brasil é algo difícil.

      Você pode falar de “Estado Democrático de Direito” e tal, mas não podemos esquecer: democracia é a decisão soberana de uma maioria de uma população, de um conjunto de cidadãos, a qual deve estar de acordo também com quem é contraria a aquela decisão. Desde o Zé da Couve até o José da Multinacional. Se a população é conivente com pessoas que prejudicam o próximo, infelizmente (no meu ponto de vista) o jeito é ou sair daquele convívio ou lutar contra aquilo. Daí vem as guerras.

      Se a população aprende a conviver entre si, a adquirir e valorizar a educação, o respeito mutuo, a política justa e equilibrada e a valorização de todos os profissionais, sem distinção de níveis, aí sim podemos falar de direitos para todos, de respeito para todos.

      Hoje, para mim o único direito universal ao ser humano é o respeito ao próximo. Mas infelizmente nem isso é conseguido, pois graças a diferenças culturais, religiosas, de vivência, o respeito é sobreposto a aquilo que a pessoa acredita. Se a pessoa mata por matar ou porque “está escrito na bíblia”, ou porque está se defendendo, no final de um jeito ou de outro estamos agindo fora dos direitos humanos, sendo os animais que no fundo nós somos.

    • http://twitter.com/O_Raul Raul

      Não, o Zé das Couves e ninguém tem o direito de pedir para um policial que se torne justiceiro. Mas ele pode pedir que o poder publico leve as pessoas a justiça.
      Quando a mão de outra pessoa é que vai chafurdar no sangue é fácil pedir para o policial matar a torto e a direito. Mas, felizmente, não deve ser fácil você olhar para alguém e simplesmente apertar o gatilho. Felizmente a policia é feita de gente boa e honesta (pelo menos em sua imensa maioria) e não psicopatas.
      O Zé quer justiça tingida de carmim? Então pegue uma arma e faça a justiça e assuma perante a sociedade o peso de seus atos.

      Viver em um estado democrático de direito quer dizer viver sob leis criadas por legisladores eleitos pelo povo, pois essa é a teoria, eles estão no congresso para fazer valer a voz de seus eleitores. No fim, se formos procurar a responsabilidade pelas leis não serem boas e etc, o responsável é o povo. Para nós é sempre cômodo falar que os problemas estão nos 3 poderes. Mas quem os colocou lá fomos nós.

      Em relação ao judiciário, qual seria a sua alternativa aos tribunais? Porque não estamos vivendo em uma utopia em que tudo é perfeito. Você seria capaz de julgar e executar a sentença dada por você mesmo em um caso em que você é um dos interessados? Digo, conseguiria ser isento a esse ponto? Eu não conseguiria. Mesmo com suas falhas a justiça, os tribunais, os advogados e promotores são o melhor que temos.

      Você diz “Se a população aprende a conviver entre si, a adquirir e valorizar a educação, o respeito mútuo, a política justa e equilibrada e a valorização de todos os profissionais, sem distinção de níveis, aí sim podemos falar de direitos para todos, de respeito para todos”. Ou seja, nesse mundo ideal todos podem gozar dos direitos e tal mas no mundo atual cada um tem que ter o direito de fazer sua propria justiça? Como vamos chegar nesse mundo ideal se hoje achamos que uns são dignos de direitos e outros não? Eu espero um dia chegar lá, mas acho que só é possível um passo de cada vez e um dos passos que espero que o Brasil dê nessa direção é garantir os mesmos direitos a todos, a partir de um judiciario que enxergue todos como iguais. Não é assim hoje. Claro que não, quem tem dinheiro para contratar o melhor e mais preparado advogado com certeza vai conseguir garantir mais direitos que aquele que não consegue. A justiça é influenciavel por “N” fatores, inclusive coleta de evidencias mal feitas? Sim, claro que é, ainda mais que a justiça é feita por pessoas.

      Mas se a gente não brigar desde sempre para que TODOS tenham seus direitos respeitados essa situação não vai mudar. E essa não é só a situação do Brasil. O mundo é assim, mas somos um pouco mais injustos que o resto. E infelizmente injustos nos direitos mais básicos: proteção a vida, educação e saúde universais.

      Minha palavra é: prefiro viver em um estado de direito, onde as leis são cumpridas, as pessoas julgadas e que as pessoas pagem por seus atos de acordo com os códigos, mesmo que falhos, que a alternativa.
      Abs,

    • http://twitter.com/VagLigeiro Vagner Ligeiro

      Fechando esas conversa: Creio eu que se for para falar que todos tem direitos e deveres iguais, no caso então voltamos ao inicio: não precisamos de legisladores, de políciais, nem nem muito menos de políticos. A alternativa é deixar cada um resolver por si, sem burrocracias (BURROcracias), sem leis restritivas. Quando mais leis, mais poder jogamos na mão dos outros, não na nossa.

      Se for para nós brigarmos para que TODOS tenham seus direitos, isto é difícil. Afinal, muitas pessoas preferem a liberdade de viver sem leis. Leis podem ajudar, e podem ser contraditórias.

      Aquele pai que teve o filho assassinado e até hoje prega a paz. Quem escuta ele? Quem aprendeu com ele a perdoar o bandido? Poucos. A natureza nossa define “Bandidos e mocinhos”, e queira ou não, no final a partir do momento que segregamos, o nosso algoz não ganha os direitos que nós defendemos.

      Um papel não pode significar a lei, mas sim a atitude do próximo. Isso é o que eu quis dizer sobre respeito ao próximo. Você pode fazer o que quiser, fumar algum alucinógeno, jogar um poker, escutar musica alta, desde que respeite o próximo e não incomode ninguém. O princípio básico é esse.

      Criamos leis que bloqueiam direitos dos outros. Criamos regras pois acreditamos que aquilo faz mal para nós, mas não sabemos se faz mal ao próximo. Pensemos um pouco.

      Se as leis funcionassem para punir quem prejudica realmente o próximo, beleza. Mas não funciona. Funciona sim para marginalizar qualquer pessoa.

      Em tempos: não fumo e nem bebo. Não cometo crimes graves, no máximo passo o farol vermelho de madrugada ou puxo uma música em um torrent.

  • http://twitter.com/palomenha_ Paloma Mendes

    Discordo Raul, em termos.
    Nunca vi, nem conheci, nem acho que uma pessoa que cometeu algum crime hediondo possa mudar. Se tornar uma pessoa boa ou algo do tipo. Ainda mais em um lugar como a cadeia.
    Agora, o sistema penitenciários e as leis penais do Brasil são uma merda.
    Um cara que roubou um litro de leite tá preso junto do que matou 5.
    Acho isso um tremendo absurdo.
    Muita coisa tem que mudar…

    Acho que a frase que mais cabe aí é:
    ‘O seu direito termina onde começa o do outro’

    Não existe motivos ou justificativas pra alguém tirar a vida de outra pessoa.

    é o que eu acho. beijo :)

    • http://twitter.com/O_Raul Raul

      Se a pessoa cometeu um crime, no estado de direito em que vivemos, há instrumentos para julgamento e punição. Se esses instrumentos não são adequados cabe a sociedade exigir uma mudança e não simplesmente achar que alguns são dignos de direitos e outros não.
      Se começamos assim no futuro uma boa parte da sociedade pode começar a dizer que é ruim mulheres independentes e que por isso precisam ser simplesmente eliminadas pelo bem da “boa sociedade”.
      Não posso negar que nossa justiça poderia ser mais agil e o sistema prisional melhor equipado. Mas é o que temos e é melhor que as pessoas acharem que o ideal é apenas eliminar os individuos que não se encaixam.
      Como você bem disse: seu direito termina onde começa o do outro. Mas é a justiça que tem que julgar isso, não o cidadão comum. :D

    • http://twitter.com/palomenha_ Paloma Mendes

      A justiça do país é falha. Não julga nem pune quem deveria julgar e punir.
      E essa justiça falha, lenta, corrupta e bastante ineficaz já está tão ‘comum’ que já virou cultural no páis.
      Concordo que a sociedade tem que exigir mudanças. Mas essas mudanças, pra acontecerem, tem que haver uma ENORME mobilização. Essas mudanças só acontecerão a um BEM longo prazo e com muito planejamento.
      Essa é a ‘solução’ que encontraram a curto prazo…
      O meu grande medo é que haja comodismo e as soluções continuem a curto prazo. Assim como bolsa família, bolsa gás, bolsa isso, bolsa aquilo….

    • http://twitter.com/O_Raul Raul

      Matar grupos que não “se enquadram” nunca é solução, nem a curto, medio ou longo prazo. A historia esta ai para nos mostrar isso. Não importa que sejam bandidos e que a justiça seja falha. Os instrumentos civis existem e devem ser usados.
      Acompanha a cadeia de comentários que estou tendo com o Vagner Ligeiro que esta bem interessante e mostra bem o que eu quero dizer.

    • http://twitter.com/palomenha_ Paloma Mendes

      Não é questão de matar grupos que não ‘se enquadram’. (Entendi bem as aspas, até porque acho que esses ‘grupos que não se enquadram’ são os que devem ser enquadrados. :P )

      A questão é que esses grupos que ‘não se enquadram’ matam pessoas. Tanto de grupos que ‘não se enquadram’ como eles, quanto de grupos que ‘se enquadram’. E a justiça vai fazer o que? Deixá-los presos pro resto da vida? Pra eles sairem por ‘bom comportamento’ em alguns anos e fazerem denovo, e sabe-se lá quantas vezes mais? Nunca entendi direito essas histórias de ‘bom comportamento’. Como se tem um ‘bom comportamento’ na cadeia? Quando você não mata ninguém lá dentro e pinta as paredes?

      Não entendo como um cara que corta a CABEÇA de 2 adolescentes pode ser punido sendo preso. Comida, roupa lavada, celular, banhos de sol e cama pra dormir. Perder o direito à liberdade é muito ruim, mas será que é tão ruim comparado a perder o direito de viver?

      Já vi várias reportagens de gente que matou ou estuprou, saíu de casa e foi apedrejado pela comunidade. E a justiça vai fazer o que? Prender todo mundo?

      As pessoas podem mudar de roupa, de cabelo, de orientação política, de peso… mas ninguém muda a essência.

      Não digo que ninguém nasce ruim ou nasce assassino. Mas depois que faz uma vez, meu amigo…

      Li uma pesquisa sobre os presos homicidas. E cerca de 90% dizem que não se arrependem e cerca de 60% fariam tudo denovo.

      Dentre esses existem pessoas que tem tudo e matam os próprios pais por dinheiro. Tem gente que não tem nada e a única coisa que encontraram foram drogas, tráfico, crime. Tem gente que acha que é o único caminho…

      A justificativa pra maioria deles foi: ‘Ou era ele, ou era eu’.

      O problema de violência no Brasil é um caso muuuitissimo complexo. E o ponto chave é: oportunidade.

      É como o Vagner disse: será que não era mesmo necessário matar aquele bandido rendido que matou a pouco tempo atrás? Será que não era necessário matar pra salvar a vida de outra pessoa?

      Acho que isso vai bem além da minha compreensão sobre a vida.

    • http://twitter.com/O_Raul Raul

      Não importa. Vivemos em um estado de direito e devemos viver de acordo com as regras. Se você resolve não seguir as regras desse estado de direito você é bandido, simples assim.
      Mas eu entendo que você esta falando de pena de morte. O que eu não apoio. Mas não é o objetivo do texto.
      No texto eu critico e chamo de facista gente que diz que pessoas que cometeram determinados crimes devem simplesmente ser executados. Isso basicamente é incitação a crime de morte, igualzinho o Mayara Petruso fez.

      Se não vivessemos em um estado de direito talvez essa mesma moça pudesse praticar o crime que ela sugeriu, afinal na visão dela, nordestinos são um mal assim como homicidas são para as pessoas que bradam por execuções, de preferencia publicas.
      Se quero que as coisas mudem? Claro, mas dentro da ordem e da legalidade, mesmo que só possa ser plenamente usufruido pelos meus netos.

      Prisão é punição, podemos não ter um sistema prisional ideal onde haja uma punição efetiva, mas é melhor que no Irã onde adulteras são apedrejadas, por exemplo. Elas pagam pelo crime, cometido de acordo com as leis daquele pais, com humilhação, extremo sofrimento e por fim do a vida. Eu sinceramente não quero que filhos e netos e vivam em um pais que funcione dessa maneira. Se seria efetivo: talvez sim. Moralmente aceitavel? Não por mim.

      E sim, muitos só encontram “oportunidade” no crime e isso só vai mudar em décadas. Mas o que vamos fazer com os garotos que viram aviões para o trafico?

      E a respeito do “será que não era necessário matar para salvar outra pessoa”, bem nesse caso esse policial deveria seguir carreira como vidente então.

      É complexo sim, mas discutir é o primeiro passo para o melhor :D

    • http://twitter.com/VagLigeiro Vagner Ligeiro

      Eis aí algo que é interessante: se a pessoa está fora das regras, ela é bandida? Isso aí já não é um julgamento exagerado, já que muitas vezes as leis e regras impostas são até inutilizadas ou ignoradas, não só pelos cidadãos como por quem deveria aplica-las? Quer seja desde uma simples regra de convivência, passando por direitos autorais, até a morte de alguém? Isso não é muito binário demais?

      Se for para segregar “bandidos e mocinhos”, não estará indo contra o próprio texto, que defende que os direitos humanos é de todos? A pessoa que defende a punição de alguém que incite outro tipo de punição também não seria julgamento?

      Agora me enrolei todo =p

      Mas falando sério, eis o ponto: eu penso que claro que existem leis, regras, convenções, enfim, pautas que coordenam este gigantesco mundo. Mas isso existe depois da criação do ser humano, este que tem em seus instintos básicos os mesmos de qualquer outro animal: a sobrevivência e conforto de si e seu bando, por assim dizer. E basicamente isso não mudou nada nestes últimos tempos: sempre existe grupos defendendo seus territórios, seus ideais, tal como você por exemplo que defende aqui sua idéia de que todo abuso deve ser punido pela justiça, esta no Brasil tardia e falha. E eu do outro lado defendendo que cada um tenha o direito de se defender da maneira que lhe for conveniente, desde que assuma sua responsabilidade.

      Se eu tou contra seu ideal, no final eu sou um bandido?

    • http://twitter.com/O_Raul Raul

      “E eu do outro lado defendendo que cada um tenha o direito de se defender da maneira que lhe for conveniente, desde que assuma sua responsabilidade”
      Tudo o que eu falei pode ser resumido nessa sua frase: a sociedade tem uma serie de regras para se proteger de si mesmo, por esse mesmo instinto que você mencionou. Somos animais selvagens que fomos domesticados pela sociedade.
      Apesar de tudo isso, acabamos fazendo o que bem entendemos e precisamos arcar com as consequencias, se o caminho escolhido for agir a margem das leis.
      Só acho que falar “bandido bom é bandido morto” não é solução. Pois o que pode ser bandido para mim pode ser diferente para você. E não podemos ficar a mercê desse tipo de coisa.

      Agora sobre segregar bandidos e mocinhos: o ponto do meu texto não é a não segregação dos bandidos é simplesmente não matá-los, puni-los fora do sistema.Tem que ser caçados, processados e mantidos fora do convivio da sociedade.

      Sobre o maniqueismo no comentário, foi apenas para simplificar a resposta. Mas a grosso modo se você não segue as leis, você esta a margem dela, logo é um fora da lei. Claro que há varias tonalidades de cinza entre o preto e o branco e nem tudo é simples nessa vida.

  • http://twitter.com/VagLigeiro Vagner Ligeiro

    Se alguém lhe fizer algum mal, como você trataria ele?

    • http://twitter.com/O_Raul Raul

      Defina: mal.
      Porque vira e mexe alguém me faz algum mal.
      Se a pessoa não é boa comigo não serei bom com ela. Simples assim.

    • http://twitter.com/VagLigeiro Vagner Ligeiro

      Exato. Mal não seria algo que lhe prejudica ou interfere negativamente no que faz? Para mim é isso (sim, isso é maniqueísmo, apesar de que não estudo muito filosofia para saber melhor sobre isso).

      O ponto é esse: se ela não é boa com você e você não é bom com ela, o que pode vir a ocorrer? Divergências, brigas… Isso tudo é o que resulta as guerras, as brigas, etc…

      Toda guerra nada mais é que dois pontos divergentes brigando sem entrar em consenso, mas sim um sobrepondo-se ao outro o seu ideal. Como “proteger direitos humanos” nessas horas? Como “julgar” o próximo com isso? Como todos entram em um consenso no final?

    • http://twitter.com/O_Raul Raul

      Pode soar absurdo, mas há um conjunto de codigos de conduta que rege uma guerra e se um pais o desrespeita, os responsaveis são julgados por crimes de guerra. É conhecida como Convenção de Genebra.
      Mas enfim, entendo seu ponto. O texto é relativo a pessoas comuns… eu, você, nossos vizinhos e mesmo o seu Manoel da padaria bradando aos quatro ventos que direitos humanos é apenas para alguns. Não me refiro aos policiais que estão no meio de um tiroteio e matam os bandidos. Mas se o bandido estiver rendido e mesmo assim o policial mata-lo é algo que não pode ser visto como algo bom ou aceitavel em uma sociedade considerada civilizada.
      Entendeu meu ponto?

    • http://twitter.com/VagLigeiro Vagner Ligeiro

      Entendi sim. É que é fácil muitas vezes colocar o ponto de que “ele não pode, eu posso”. Eu muitas vezes faço isso, pois é aquela coisa: no final queremos sempre nos beneficiar.

      Quando coloquei o exemplo de guerra, digo em qualquer nivel, desde a briga familiar até as grandes guerras: sempre é uma disputa onde um fala “eu posso, você não”. Aí lá se foi os direitos humanos pelo ralo.

      No caso de abusos, como o de um policial matando um bandido rendido, é claro que hoje consideramos isso um abuso. Mas há o fato do emocional vs. razão também. E mesmo assim muitas vezes os atos são feitos com uma razão tão inquetante que fica dificil definir se ele fez “certo ou errado”. Voltando ao caso do policial: vamos imaginar que o bandido matou um policial, e o outro policial rendeu o assassino. Num primeiro momento, o emocional diz: “pega esse **** e mate logo!”, mas vem a razão, as leis e dizem: “deixe a justiça cuidar disto”, e em seguida nos lembramos da lenta, mórbida e injusta Casa das Leis e o policial pensa “será que a justiça será justa? será que esse cara volta para a sociedade para fazer mais mal?”

      É bem complexo. Perdão o incomodo :)

    • http://twitter.com/O_Raul Raul

      É emocional sim e se um policial fazer isso é simplesmente crime e precisa ser julgado. Mas ainda bem que, apesar de deficiente, nossa justiça aplica as “melhores praticas” e portanto esse mesmo policial pode ser julgado e ter uma defesa, onde todos os atenuantes podem ser apresentados. O importante é deixar claro que ele não pode ser juiz, juri e carrasco. Talvez ele possa não ser condenado, depende da defesa. Mas foi julgado e a sociedade, depois de todo o processo legal, o liberou. Pois é esse o papel da justiça: representar a sociedade em casos que arbitragem se faz necessário.
      Só para deixar claro: a policia tem que fazer o que for necessário para resolver o problema, se necessário matar. O que é problema é quando não é necessario e mesmo assim mata. E mais problema ainda quando a sociedade apoia.

    • http://twitter.com/VagLigeiro Vagner Ligeiro

      Entendi. Mas o que me implica é: o que uma parte da sociedade é a favor, outra é contra. E a Justiça não pode também ser a dona absoluta da verdade, senão até a própria é corrompida pelo poder. Coisa que ocorre hoje: jogamos muito nas costas dos magistrados a culpa das atrocidades e esquecemos de nossa própria culpa. No final o que vemos é uma Justiça que não representa bem os anseios de uma gigantesca sociedade no Brasil.

      No final, dependendo da situação de um país, de uma sociedade em si, penso que é difícil definir uma sociedade organizada que deixe que um grupo de magistrados fale se tal ocorrência foi justa, e se quem o fez merece ser isolado ou não. Só uma sociedade cuja população tenha boa educação e todos estejam em consenso de que “o direito de um acaba no começo do direito do outro”, ou seja, o bom senso de não incomodar ou prejudicar o próximo prevalece.

      Cada um teve uma vivência, uma história relacionada a um caso. No caso do policial que errou, se for para colocar “que seja julgado mesmo” por causa do abuso, eu por exemplo sou meio a favor meio contra. Conheço policiais, mas não conheço nenhum a qual aplica essa história. Mas pelo que vejo, muitas vezes o emocional acaba dominando sempre no primeiro momento (dias atrás um bandido foi morto após ser preso por ter matado um policial no Rio).

      No caso de “matar por matar”, é aquela coisa, e falando sem hipocresias: tem horas que infelizmente o que nos domina é a vontade de acabar com algo na hora. Nessas horas ocorrem essas mortes banais e horríveis, como o cara que matou o outro por causa de um som alto, ou que o cara estava devendo. Isso tudo é questão de educar, de mostrar que isso não leva a nada. Mas enfim.

    • http://twitter.com/O_Raul Raul

      Temos que acreditar que o judiciario é a instancia mais competente para dizer o que é certo ou errado de acordo com as leis criadas no judiciario e o executivo. A sociedade em si não conseguiria por causa dos conflitos de interesse que eventualmente existiriam. Imagine se deixarmos de respeitar o judiciario? O caos ia dominar em todas as instancias da vida.

      ja no caso do “matar por matar” imagino que todos em algum momento fala algo parecido com “ah se eu pego, mato esse filho da puta”. No transito tem muito disso. Mas o que nos faz pessoas legais e bacanas é justamente isso: podemos falar mas a distancia para fazer é imensa pois pesamos todas as implicações que isso vai ter em nossa vida, na vida das pessoas que nos cerca e mesmo no fulano em questão. Mas há sim pessoas que nesse momento pesou tudo isso e resolveu seguir em frente. Ai o que podemos esperar é que as implicações o alcancem o mais rapido possivel.

    • http://twitter.com/VagLigeiro Vagner Ligeiro

      O problema é que é difícil acreditar. Não dá para nessas horas ser “binario”, é ou não é, já que há uma justiça tarda e falha. Se jogar a culpa e a responsabilidade só nela, então no final tudo que nós fizermos poderá até ser ditada por ela. A essência de um “grande irmão” é justamente isso: deixar que superiores deleguem responsabilidades que deveriam ser de cada individuo. E não é bem assim.

      Se a sociedade tem regras bem definidas e bom senso suficiente, é outra coisa: uma justiça funcionará com eficiência. Sociedades sem regras (até mesmo a nossa brasileira, e países mais pobres) não tem como. E no final até são “gestionadas” por poderes exteriores, por corrupção. Mas aí é outro papo.

      O caos já existe e sempre existirá, não tem como fugir, mas tem como dominar. Vale o bom senso sempre, como você colocou: se a pessoa põe em prática a “justiça com a própria mão”, dependendo da sociedade em que ela vive, a conseqüência posterior, quer seja a prisão e julgamento do mesmo, ou até a ignorância do fato, será a que define o final da história.

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  • http://twitter.com/evandrocesar EvandroCesar

    Você tem razão, exército não pode ser usado assim e o melhor é contratar mais policiais, pagar BEM melhor e treinar esse pessoal. Só que em casos de emergência e em um cidade como a do Rio, que tem um efetivo pequeno se comparado a outros o papel do exército seria interessante para desafogar a polícia militar de tarefas como o patrulhamento de ruas e bairros. O exército é usado como um simples reforço enquanto o pessoal da polícia, que realmente conhece o seu trabalho, possa contornar e acabar com os conflitos.

    • http://twitter.com/O_Raul Raul

      Concordo, a curto prazo tem que ser assim mesmo. Mas a anos e anos que o exercito esta fazendo isso e nesse tempo daria para formar uma força policial digna desse nome. Espero que na próxima vez, em vez de exercito ocupando ruas, tenhamos bons policiais.