Hunf!!!

india-chennai-central-people

E talvez a HP esteja imprimindo uma nova página em sua história

| 3 Comentários

Esse post é na verdade um pequeno exercício de escrita, algo mais profissional, depois que li em diversos sites que cobrem tecnologia algumas opiniões que considerei extremamente equivocadas a respeito das noticias saidas da ultima reunião de acionistas da HP. Uma dessas noticias fala a respeito da plataforma WebOS (que pretendo escrever a respeito mais para frente) e a outra sobre a possível separação da divisão de PCs da HP. É nessa ultima que vou focar aqui.

hp logo 600x176 E talvez a HP esteja imprimindo uma nova página em sua históriaAs pessoas vêem a HP como uma empresa que vende computadores e impressoras. Mas a HP é muito mais que isso para o mercado corporativo, ela é um dos titãs da área de serviço, depois da compra da EDS. E também um grande nome no setor de software depois de ter absorvido varias empresas pequenas, como por exemplo a Mercury e a Peregrine.

A HP não era um nome que emocionava as pessoas em relação a sua linha de computadores, lá pelo ano de 1999. Na verdade ninguém gostava da HP, os equipamentos eram ruins assim como a manutenção, enquanto a Compaq era a querida dos departamentos de TI. A Dell ainda não era a força global que representa hoje. Foi quando, em 2002, a HP abriu o bolso e comprou a Compaq, levando junto a Digital.

5 5 compaq logo 280x253 E talvez a HP esteja imprimindo uma nova página em sua históriaMas de lá para cá muita coisa mudou. O mercado de sistemas pessoais (PCs para uso comercial ou domestico) que sempre teve margens baixas vem piorando. A demanda por equipamentos potentes caiu drasticamente já que a maioria das aplicações corporativas hoje não são mais client-server, sendo acessíveis através do browser. Como por exemplo SAP, PeopleSoft, Hyperion, Cognos e Siebel.
Os aplicativos mais comuns nas estações hoje em dia são para ler emails ou editar documentos e planilhas. Não é raro ver empresas disponibilizando o que se convencionou chamar de terminais burros, apenas para acessar remote desktops rodando em farms de terminal servers Microsoft ou Citrix.
O usuário doméstico, a não ser que seja heavy user, ja tem na internet tudo o que precisa, desde emails até jogos mais simples. E sem falar na área de impressão, onde várias outras empresas ganharam terreno, como Samsung, Oki, Sharp e Canon.
IBMlogo blueonwhite Size2 140x78 E talvez a HP esteja imprimindo uma nova página em sua história

Então não é estranho quando uma empresa diversificada e com uma divisão de serviços sólida pensa em separar a divisão de PCs. A IBM ja mostrou o caminho, quando vendo que sua divisão Global Business Services estava com crescimento estável e responsável por boa parte da receita, vendeu sua altamente conceituada divisão de sistemas pessoais para a chinesa Lenovo, ficando apenas com equipamentos de alto valor agregado, em especial no que tange contratos de manutenção.

A grande duvida aqui é se a HP vai vender sua divisão ou separar. Na verdade tenho muita simpatia pela ideia de ter a Compaq de volta ao mercado, como uma empresa independente. E acho até que seria o mais natural já que não tem muita gente por ai com dinheiro para comprar uma divisão tão grande. Não consigo ver nenhuma empresa européia grande que queira se meter nessa área (a ultima grande que vi era a Siemens, em joint venture com a Fujitsu, mas acho que acabou). A Sony poderia se interessar e assim ter acesso ao mercado corporativo. Mas não sei se eles tem estão com caixa suficiente para uma compra dessa monta. Das americanas a Dell vai bem e nem a Packard Bell e nem a Gateway teriam musculatura para algo desse tamanho.

Bem, tudo isso é muito teórico ja que a HP não disse que faria e sim que analisaria a possibilidade depois de receber os números da divisão. Mas digamos que eles o façam, o que sobra da HP? Bem, sobra muita coisa. A produção de produtos de alto valor agregado como componentes de conectividade e servidores, como por exemplo o P9000 – Superdome Server entre outros. Uma divisão de serviços sólida e bem estruturada. Esse é o fruto da compra da EDS alguns anos atrás. E também uma divisão de software com muitos produtos que não são conhecidos do consumidor final mas bastante usados em corporações, como os produtos da IT Performance Suite. Abaixo um video explicando uma das ferramentas, criticas hoje em em um grande parque, que é o scorecard, por meio de seu produto IT Executive Scorecard.

Na verdade todo esse movimento é mais uma vez a HP se reinventando, de uma empresa que começou fabricando osciloscópios e outros equipamentos de medição para uma gigante dos serviços. Para empresas como a HP esse é o caminho para lucratividade maior e deixar de ser responsáveis por um produto com pouco valor agregado. Eles não tem um ERP ou sistemas de banco de dados cujo da licença por processador esta na casa dos US$1000,00.

Então o caminho é oferecer para o mercado profissionais especialistas em gerir esses sistemas a um custo baixo, utilizando-se de mão de obra offshore, metodologia estruturada e garantias de SLA. Mas não que seja fácil. Quando ela comprou a EDS deixou muitos clientes dessa receosos. Alguns optaram por diversificar ou mesmo mudar de fornecedor, beneficiando IBM, Cap Gemini, Accenture, Tata entre muitas outras. Ai a briga não é menos intensa que no mercado de PCs.

É um mercado bilionário que emprega milhares de pessoas mas que infelizmente a parte do Brasil no bolo é pequena. Pois apesar de estarmos praticamente no mesmo fuso de quem seria o principal consumidor, as empresas americanas, temos dificuldade em encontrar profissionais para preencher posições mas principalmente temos um salário que, mesmo sendo muito menor que o americano, é muito maior que os encontrados no Leste Europeu, India, Filipinas e agora a China. Mas nem tudo esta perdido. Alguns projetos que exigem um nivel maior de sofisticação e portando mais caros, estão encontrando nas filiais brasileiras o ambiente ideial para serem desenvolvidos.

mumbai skyline 600x228 E talvez a HP esteja imprimindo uma nova página em sua história

Mumbai, um dos maiores centros globais de IT offshoring

E você, tem alguma opinião do que pode vir a ser o futuro da HP?

Lomadee, uma nova espécie na web. A maior plataforma de afiliados da América Latina.
Gostou desse texto? Que tal compartilha-lo com seus amigos, utilizando os botões ao lado? Caso tenha alguma duvida não hesite em deixar um comentário. Você também pode assinar o meu RSS Feed para receber os posts no seu leitor favorito.

Autor: Raul

Manter ao abrigo da luz e longe de odores fortes. Não empilhar. Data de validade impressa no rotulo.

  • http://shared.faccenda.org Mauro Faccenda

    A HP é, ainda, o maior fabricante (na realidade, vendedor) de PCs do mundo. É bom sempre ter isso em mente enquanto estivermos falando deste assunto.

    Realmente fica difícil dar um chute certeiro.

    Mas vi na lista de empresas que você fez que não citou a Oracle. Esta tem cacife (mesmo tendo comprado a Sun há não muito tempo) para bancar talvez a HP inteira, mas certamente para a divisão de PCs ou, talvez, a divisão Enterprise (vamos chamar assim).

    Acho a idéia de só separar interessante. Uma área está com um mercado em declínio (PCs: como já foi dito, baixa margem de lucro, crescimento de outras plataformas – smartphones, tablets) a outra com um mercado em sempre ascenção (Enterprise: hardware parrudo, serviços e sistemas – todos com contrato de suporte, claro).

    A Oracle já está muito bem servida no mercado Enterprise: hardware Sun, SO Sun, o próprio SGBD, ERPs, etc… não sei se teria de fato interesse nesta divisão da HP a não ser que seja para a engolir.

    Já a divisão de PCs, que tende a desvalorizar com o tempo (algo como aconteceu com a Motorola Mobility), a Oracle não se meteu ainda neste mercado, será que teriam interesse?

    Mas isso tudo é apenas especulação…

    De qualquer forma é interessante observar as mudanças no movimento necessariamente lentos pela inércia e provalmente de uma empresa gigante como a HP.

    Vamos esperar os próximos capítulos.

    • http://about.me/raulds Raul

      Mas então, a HP imagino que nem pense em vender o “enterprise”, essa é uma divisão que dá dinheiro. A serie P9000 – Super Dome por exemplo é bastante usada para virtualização. E vira e mexe você tem que acrescentar um processador ou memoria na máquina. Só uma HBA para ligar em uma nova storage pode custar alguns milhares de dólares. Sem falar nas maquinas que rodam HP-UX. Assim como a IBM imagino que ela não vai se desfazer desse mercado.

      Na prática isso tudo ja é separado. Existe a HP que vende desktops, a HP que vende servidores, a HP networking que vende soluções de conectividade (lembrando que ela aumentou o portifólio quando comprou a 3com), a HP Software e a HP Services. O mercado pode contratar o serviço que quiser de qualquer uma das divisões em separado.

      Tudo isso para dizer que eu não consigo imaginar a Oracle se metendo em desktops. A Sun tinha uma linha de workstations (ou tem ainda) robustas, voltadas para CAD e aplicações de uso intensivo de hardware que não sei exatamente onde esta. Mas antigamente ela brigava com as soluções da HP e Silicon Graphics. A SGI pelo que sei se concentrou em nichos e parou de tentar brigar pelo mercado corporativo. A HP me parece que ainda vai bem nesse nicho. A DreamWorks usa HP para criar suas animações, por exemplo. Em relação a servidores CISC a Sun tentou emplacar uma linha chamada Cobalt, que usava AMD, mas nunca mais ouvi falar. E a Oracle está ainda tentando colocar a casa em ordem depois de todas as compras que fez nos últimos 10 anos. Para ter uma idéia, quando eles compraram a PeopleSoft todos nós, que trabalhávamos com isso na época, ficamos receosos pois a ideia da Oracle, deixada muito clara, era acabar com o PeopleSoft e deixar o ERP da Oracle como o produto principal da companhia. Mas o que aconteceu é que depois da aquisição a PeopleSoft se fortaleceu pois os clientes passaram a enxergar como uma solução forte, com alguém com dinheiro atrás para mante-la. E hoje em dia PeopleSoft é o carro chefe dos ERPs deles. O middleware ainda esta meio confuso e muita gente anda se perguntando sobre outros produtos. Enfim, eles ainda precisam se organizar antes de entrar em novas frentes.

      A propria Dell, que vem tentando tirar vantagem do anuncio da HP, dizendo que eles estão comprometidos com desktops, andou se mexendo na area de serviços. Um tempo atrás ela comprou uma grande empresa texana da area e no Brasil vem expandindo as operações, inclusive recrutando vários profissionais da empresa em que trabalho. Tenho alguns amigos que foram para a Dell Services que dizem que os planos deles são bem agressivos. A grande parte ainda é monitorando os parques Dell mas ja tem pessoas vendendo serviços, de fato. Implementações, integração, etc.

      Então acredito que o futuro dos desktops está na mão dos chineses e taiwaneses. Foxcomm, Celestica, Solectron e demais integradoras seriam as mais interessadas. Elas ja montam e no fim da linha de produção colocam um selinho de grife. Por que não deixar o selinho de lado e usarem uma marca própria? A Lenovo é a prova que pode dar certo. Ela tinha o direito de continuar usando a marca IBM por X anos mas bem antes do previsto deixaram de lado e passaram a usar a marca própria, sem prejuizo.
      Mas a minha esperança esta mesmo depositada em eles somente separarem a area de desktops em uma empresa autonoma e que os bons nomes da Compaq do passado estejam a frente dela.

      Acredito que quando a decisão for tomada eles não serão lentos na divulgação e em fazer as coisas acontecerem. Eles ja fizeram besteira falando tão antes. Se você tivesse que assinar um contrato de fornecimento hoje, entre uma HP cambaleando e sem certeza do futuro e uma Dell ou Lenovo, qual você escolheria?

  • http://www.arrobazona.com Helio

    Concordo com você quanto a simpatia de rever a Compaq como uma empresa a parte. Essa ideia de fazê-la ficar como produtos de segunda linha da HP pra mim foi uma bela cagada, já que as diferenças de hardware não são tão gritantes atualmente.

    Vale lembrar que até o ramo de impressoras que é bastante forte na HP tem sofrido uma queda relevante.

    Como dito por você, é bem difícil prever o futuro da HP. Ainda mais se nem seus acionistas sabem que rumo devem realmente tomar. A única certeza que temos é que fortes mudanças virão. Eu aposto também que a busca por nichos mais especializados, como equipamentos ou serviços de alto valor agregado sejam uma lacuna que a HP poderia suprir.