As pessoas vêem a HP como uma empresa que vende computadores e impressoras. Mas a HP é muito mais que isso para o mercado corporativo, ela é um dos titãs da área de serviço, depois da compra da EDS. E também um grande nome no setor de software depois de ter absorvido varias empresas pequenas, como por exemplo a Mercury e a Peregrine.
A HP não era um nome que emocionava as pessoas em relação a sua linha de computadores, lá pelo ano de 1999. Na verdade ninguém gostava da HP, os equipamentos eram ruins assim como a manutenção, enquanto a Compaq era a querida dos departamentos de TI. A Dell ainda não era a força global que representa hoje. Foi quando, em 2002, a HP abriu o bolso e comprou a Compaq, levando junto a Digital.
Mas de lá para cá muita coisa mudou. O mercado de sistemas pessoais (PCs para uso comercial ou domestico) que sempre teve margens baixas vem piorando. A demanda por equipamentos potentes caiu drasticamente já que a maioria das aplicações corporativas hoje não são mais client-server, sendo acessíveis através do browser. Como por exemplo SAP, PeopleSoft, Hyperion, Cognos e Siebel.
Os aplicativos mais comuns nas estações hoje em dia são para ler emails ou editar documentos e planilhas. Não é raro ver empresas disponibilizando o que se convencionou chamar de terminais burros, apenas para acessar remote desktops rodando em farms de terminal servers Microsoft ou Citrix.
O usuário doméstico, a não ser que seja heavy user, ja tem na internet tudo o que precisa, desde emails até jogos mais simples. E sem falar na área de impressão, onde várias outras empresas ganharam terreno, como Samsung, Oki, Sharp e Canon.

Então não é estranho quando uma empresa diversificada e com uma divisão de serviços sólida pensa em separar a divisão de PCs. A IBM ja mostrou o caminho, quando vendo que sua divisão Global Business Services estava com crescimento estável e responsável por boa parte da receita, vendeu sua altamente conceituada divisão de sistemas pessoais para a chinesa Lenovo, ficando apenas com equipamentos de alto valor agregado, em especial no que tange contratos de manutenção.
A grande duvida aqui é se a HP vai vender sua divisão ou separar. Na verdade tenho muita simpatia pela ideia de ter a Compaq de volta ao mercado, como uma empresa independente. E acho até que seria o mais natural já que não tem muita gente por ai com dinheiro para comprar uma divisão tão grande. Não consigo ver nenhuma empresa européia grande que queira se meter nessa área (a ultima grande que vi era a Siemens, em joint venture com a Fujitsu, mas acho que acabou). A Sony poderia se interessar e assim ter acesso ao mercado corporativo. Mas não sei se eles tem estão com caixa suficiente para uma compra dessa monta. Das americanas a Dell vai bem e nem a Packard Bell e nem a Gateway teriam musculatura para algo desse tamanho.
Bem, tudo isso é muito teórico ja que a HP não disse que faria e sim que analisaria a possibilidade depois de receber os números da divisão. Mas digamos que eles o façam, o que sobra da HP? Bem, sobra muita coisa. A produção de produtos de alto valor agregado como componentes de conectividade e servidores, como por exemplo o P9000 – Superdome Server entre outros. Uma divisão de serviços sólida e bem estruturada. Esse é o fruto da compra da EDS alguns anos atrás. E também uma divisão de software com muitos produtos que não são conhecidos do consumidor final mas bastante usados em corporações, como os produtos da IT Performance Suite. Abaixo um video explicando uma das ferramentas, criticas hoje em em um grande parque, que é o scorecard, por meio de seu produto IT Executive Scorecard.
Na verdade todo esse movimento é mais uma vez a HP se reinventando, de uma empresa que começou fabricando osciloscópios e outros equipamentos de medição para uma gigante dos serviços. Para empresas como a HP esse é o caminho para lucratividade maior e deixar de ser responsáveis por um produto com pouco valor agregado. Eles não tem um ERP ou sistemas de banco de dados cujo da licença por processador esta na casa dos US$1000,00.
Então o caminho é oferecer para o mercado profissionais especialistas em gerir esses sistemas a um custo baixo, utilizando-se de mão de obra offshore, metodologia estruturada e garantias de SLA. Mas não que seja fácil. Quando ela comprou a EDS deixou muitos clientes dessa receosos. Alguns optaram por diversificar ou mesmo mudar de fornecedor, beneficiando IBM, Cap Gemini, Accenture, Tata entre muitas outras. Ai a briga não é menos intensa que no mercado de PCs.
É um mercado bilionário que emprega milhares de pessoas mas que infelizmente a parte do Brasil no bolo é pequena. Pois apesar de estarmos praticamente no mesmo fuso de quem seria o principal consumidor, as empresas americanas, temos dificuldade em encontrar profissionais para preencher posições mas principalmente temos um salário que, mesmo sendo muito menor que o americano, é muito maior que os encontrados no Leste Europeu, India, Filipinas e agora a China. Mas nem tudo esta perdido. Alguns projetos que exigem um nivel maior de sofisticação e portando mais caros, estão encontrando nas filiais brasileiras o ambiente ideial para serem desenvolvidos.
E você, tem alguma opinião do que pode vir a ser o futuro da HP?

